Natural de Cabaceiras, onde viveu até mudar-se para Campina Grande, aos 15 anos, 2 casamentos, 7 filhos e 9 netos, não tem noção de quantos imóveis vendeu nessas três décadas de profissão.
- Eu vi essa cidade crescer e fico feliz e gratificado em ter contribuído para isso - afirma.
Facas do Caroca
Foi depois de servir ao exército - "como voluntário" - que Bomfim veio para João Pessoa, após um bom período em Campina Grande, onde estudou e trabalhou num parque de diversões que pertencia a familiares.
- Ajudava a montar e desmontar o parque, fazia cobrança e tudo o mais que fosse necessário - lembra.
Foi nesse parque que descobriu o seu primeiro ofício: Aprendeu a niquelar, cromar e polir metais e outros minérios.
- Naquela época (por volta de 1956) existiam as famosas Facas do Caroca, famosa em todo Brasil pela qualidade. Trabalhei com ele e aprendi o segredo da profissão.
E foi para exercer essa atividade autônoma que veio para João Pessoa, disposto a se casar e constituir família.
- Montei a primeira (e única) oficina de niquelagem da cidade ali na General Osório. Até que, alguns anos depois, insatisfeitos com o rendimento dos negócios, vi um anúncio no Jornal onde uma firma requisitava pessoas para vender fogões. Fui lá conferir e, em pouco tempo, era o campeão de vendas da empresa.
Vocação de Vendedor
Vendendo fogões com absoluta desenvoltura, surpreendendo os seus superiores (a empresa pertencia à Brasilgás), Bomfim rapidamente foi promovido a chefe do Setor de Vendas, comandando a equipe de vendedores. À essa altura, o crescimento profissional era irreversível e não demorou muito para que o volume de negócios determinasse a criação, em 1963, de sua própria empresa, a Organização Bomfim, credenciada como representante direta da brasilgás.
Com a concorrência e o surgimento de outras marcas, o negócios de fogões começa a cair e ele parte em busca de novas alternativas do negócio.
Outro anúncio no jornal, informando sobre a venda de um imóvel, viria a lhe atrair.
- Quem sabe se esse não é um bom ramo? - perguntou a si mesmo.
A resposta viria tão logo ele recebesse uma gorda comissão, resultado do primeiro negócio, a venda de um imóvel que teve como cliente Vicente Trevas. "O caminho é esse", exultou.
Classificados
A cada dia que avançava no campo imobiliário, Bomfim ficava mais convencido de que havia encontrado a sua real profissão e de que o negócio, de alta rentabilidade, era aquilo que procurava. empreendedor e inovador, acreditando e apostando na mídia como a forma mais eficiente para se atingir o mercado, foi pioneiro nos anúncios classificados, ofertando seus imóveis através dos jornais.
- O primeiro anúncio classificado foi meu, no Correio da Paraíba, e causou sensação. Todos gostaram da novidade que refletiu, diretamente, no aumento do volume de negócios.
No início dos anos 60, o grande filão de mercado eram os loteamentos em áreas nobres da cidade, como Cruz das Armas e Bairro dos Estados. Embora sem registro oficial - ainda não havia o CRECI em João Pessoa -, a Imobiliária Bomfim era campeã em vendas e não tinha concorrentes na cidade.
- Naquele tempo, o corretor enfrentava muitas dificuldades e incompreensões. Pela falta de regulamentação profissional, alguns consideravam o corretor como "um picareta". Outros negavam-se a pagar a comissão, após a realização do negócio. Recebiam o dinheiro, proveniente da venda do imóvel, e queriam dar uma gorjeta a quem viabilizara a operação.
Profissionalização
Foi para dar um basta nessa situação que Hermógenes Bomfim uniu-se a outros corretores, como Iveraldo Carvalho, João dos Santos e Horlando Feitosa - "para citar apenas alguns" -, criando a delegacia do CRECI na Paraíba, vinculado a Pernambuco. Já um ano mais tarde, evoluíam para o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado.
Hermógenes Bomfim foi o primeiro presidente da entidade.
- Fui eleito e reeleito, cumprindo um mandato de 5 anos - conta.
De lá para cá a entidade teve apenas dois presidentes, o Próprio Hermógenes, atualmente no cargo, e o empresário Iveraldo Carvalho, inscrição nº 001 no CRECI-PB.
- Temos cerca de 1.500 associados e a eleição é pelo processo direto, com voto obrigatório. Se estou hoje, pela terceira vez, no exercício de Presidente, é pela confiança dos companheiros - diz Bomfim que é representante da Paraíba no Conselho Federal da Entidade.
Expansão
A partir de 1980, com a expansão dos negócios, a Organização Bomfim ganhava novo braço, a BIC-Bomfim Incorporação e Corretagem de Imóveis.
- Era preciso separar o setor de vendas e construções de casas e apartamentos com a administração dos imóveis alugados, que estava sob nossa responsabilidade - observa.
Essa sociedade onde é respeitado como sócio majoritário, persiste até hoje com um perfeito entrosamento. Atualmente, a empresa administra 1200 imóveis de cerca de 400 proprietários, só na área de alugueis, além de uma dezena de edifícios em construção e uma centena de imóveis de terceiros para serem comercializados.
Bem sucedido nos negócios não se considera um homem rico.
- Mas já enriqueci muita gente - avalia.
A razão desse sucesso ele atribui ao trabalho, em 1º lugar, e à ética e à confiança que deve prevalecer nas relações comerciais.
- Vender imóveis também é fazer uma família feliz em realizar o sonho de sua casa própria. Em mais de trinta anos, me orgulho em dizer que tenho clientes que permanecem comigo, desde que comecei nessa atividade. O maior patrimônio que acumulamos na vida são as boas amizades.
Aliado do Plano Real, crítico da legislação que proíbe a construção na orla - "aquilo é uma insensatez"- e mostrando-se plenamente integrado à revolução do século - há quinze anos começou a informatização de suas empresas -, Hermógenes Bomfim é um campeão, um vencedor, que soube manter e preservar a sua principal virtude, responsável por todos os bons resultados que alcançou na vida: a simplicidade e a humildade dos homens de bem.
BIBLIOGRAFIA:
PARAÍBA MASCULINA Um perfil do homem paraibano na virada do Século
Autor: Abelardo Jurema Filho
Editora: Textoarte
Edição: 1997
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